A esmola é demais?

Revolução dos devs

Há alguns anos, vimos a inteligência artificial ganhar cada vez mais espaço no mercado. Centenas de livros, linhas de jornal, material educativo, tudo que até então era propriedade intelectual construída ao longo de séculos foi tratado como mero alimento, material de treino pra um produto inovador.

A IA também custou algumas centenas de milhares de vagas de emprego mundo à fora. Desenvolvedores, até então caros e tratados com tudo do bom e do melhor, foram relegados ao segundo, terceiro escalão da tecnologia. Quem ficou, virou babá de inteligência artificial. Agora, quem entende um pouco mais descobriu que pode usar a ferramenta para engenharia reversa. Em aplicativos, jogos… Começou o contra-ataque dos devs e, talvez, mais uma revolução tecnológica.


A esmola é demais?

Durante muitos anos, a Adobe reinou sozinha quando o assunto era produção de audiovisual na internet. Edição de fotos? Lightroom. Criação de banners e flyers? Photoshop. Vetorização? Ilustrator.

A Adobe ganhou muitos rivais, como o Canva – que no ano passado teve 265 milhões de usuários ativos, segundo dados da própria plataforma. E essa concorrência causou mudanças no modelo de negócio. Antes, a empresa cobrava um valor exorbitante pela licença vitalícia de cada versão de cada aplicativo – você comprava a versão CS5 do Photoshop, e quando saísse a CS6, tinha que pagar outra licença. E atualmente funciona, como quase todos os softwares disponíveis no mercado, sob o modelo de assinatura: você paga mensalmente uma quantia X, e pode usar a suíte base dos aplicativos. Ah, se quiser mais funções, como o uso de IA, obviamente precisa pagar a mais pelos créditos.

E na semana passada, veio um golpe inesperado pra Adobe: alguém decompilou os programas da empresa, reescreveu tudo em Rust e publicou como open source na internet, sob o nome Art Craft. Simples assim. Photoshop virou Photocraft. Um detalhe é que esses programas agora estão disponíveis para Linux também, com a decompilação. O desenvolvedor alega que fez o código no modelo clean room, ou seja, ele não copiou o código proprietário do programa, somente o que cada botão faz. Se poder dar problema jurídico? Com certeza. Porém o meu questionamento é outro: a esmola não é demais? O código de cada programa está aberto, eles são distribuídos de forma gratuita, sem nenhuma assinatura, pegadinha, compra, nada. Quem quiser, pode fazer uma assinatura mensal de contribuição, que dá alguns mimos, mas nada além disso.

Quer conferir a suíte de aplicativos completa? É só seguir este link.


Rapidinhas

Firefox ganha versão paga com controle de dados e IA – O navegador anunciou uma versão paga voltada para empresas, unindo a navegação na internet a uma central de controle administrativo. Essa nova modalidade promete ferramentas avançadas para proteger dados confidenciais e recursos de inteligência artificial voltados para o ambiente corporativo. (Tecnoblog)

Consoles da Anbernic na mira das autoridades – A Entertainment Software Association (ESA), associação que representa a indústria de videogames, classificou os portáteis da marca Anbernic como dispositivos que facilitam a pirataria, chamando-os de “superfalsificações”. Se você não conhece ainda, a Anbernic fabrica emuladores portáteis. São aparelhinhos no estilo do popular R36S. Embora esses aparelhos sirvam para rodar jogos antigos, o problema real não é a fabricante do console, mas sim vendedores terceirizados que comercializam esses dispositivos já lotados de jogos pirateados em cartões de memória. (Ars Technica, em inglês)

IA na sua torradeira – A famosa marca de eletrodomésticos Breville lançou uma torradeira futurista chamada Eye Q, que usa sensores ópticos para “enxergar” e medir o quão escura a sua torrada está ficando. A ideia é garantir que o pão fique no ponto certo automaticamente, usando tecnologia de ponta na cozinha de casa. (Wired, em inglês)

Bigtechs influenciando eleições – Katie Harbath, ex-chefe de políticas globais de eleições do Facebook, lançou um livro chamado Disrupting Politics, algo que pode ser traduzido como Rompendo a Política. A obra revela os bastidores de como a rede social mudou a forma como políticos fazem campanha e como a empresa lidou com eventos políticos marcantes ao longo da década de 2010. Se você é negacionista de como as bigtechs podem mexer na política, é hora de rever seus conceitos. (Stratechery, em inglês)

IA na educação básica – Os Emirados Árabes Unidos decidiram incluir a Inteligência Artificial (IA) no aprendizado de crianças que frequentam a educação infantil. A ideia do governo é fazer com que o uso dessas tecnologias seja ensinado desde cedo, com a mesma importância que se dá para o básico da leitura e da escrita. (Rest of World, em inglês)


Internetês

Decompilar é tentar transformar um programa pronto de volta em um código mais fácil de entender. É como desmontar um aparelho para descobrir como ele foi montado — mas nem sempre dá para recuperar o projeto original exatamente.


Os finalmente

A partir desta edição, sem algoritmo passa a ser uma newsletter diária. Disponibilizada de forma gratuita no substack e também no meu blog, em semalgoritmo.com.

*Edição fechada às 18h de 14 de outubro de 2026